Sou Ave carniceira espreitando,sempre, a carcaça de mim mesmo – sempre!
Se esperava algo melhor de mim, por mais longe que fosse,sempre iria buscar, mas fiquei só no esperar mesmo. A única coisa que (fiz) faço de útil e de certo e bom, é ser sempre aquela ave carniceira espreitando a carcaça de mim mesmo.
Sonhos?! – Tive. Se os realizei e se os vou realizar – não sei; e custa acreditar que sim: Sei que sou Ave carniceira. Pois bem.
- sim, pois bem ,mas por que ave carniceira? - Mas afinal o que pode um vivo morto colher da vida senão nada ou talvez seus próprios ossos? Pois bem.
Mas ainda assim por que Ave carniceira? Se há beija-flores e borboletas, Galos da Serras e Sabias e todos os demais pássaros que vivem ao redor das flores e frutos, quem bebem água na fonte e que andam na imensa estrada azul sem nada pegar?
Quem pode o um movimento fingindo senão não acontecer e de que vale a beleza do mundo para os cegos de alma e de que vale a leveza das coisas para os que ainda assim a percebem?
Já não sei o que sei e nem o que supus que sabia. Tenho só algumas vísceras na boca, conto algumas ossos ,mais quebrados que inteiros, pelo o chão; os olhos agora já não vêem quase nada e nem a boca sente quase nada também e o coração já se recusa a bater. Ainda assim, levanto voo com um pequeno pedaço de vida na boca,mas caio e morro; na carcaça de mim mesmo.
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