quarta-feira, 12 de maio de 2010

Medo Contemporâneo


É tempo de dormir, sem dormi, com um olho aberto e o outro fingindo fechado, de vida na cadeia e de sonho encurralado... Tempo de telefones grampeados, de antecipação da tragédia e tristeza e de o simples comentaria depois. É tempo de jornais manchados de vermelho e de preto e não de literatura colorida.
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''olha. O palhaço.'' ''Fica quieto. O jornal. Morreu três. vai passar'' È tempo de mar vermelho nas famílias e o luto e ausência nos retratos.
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Nos hospitais faltam sangue. Por outro lado sobra-se sangue nas praças, porém coagulado.

Onde é o esconderijo mais fundo e secreto, será possível que
todos se esconderam lá; então não há mais gente boa na humanidade?

Além do mais, é tempo de prisão domiciliar, mas só para os inocentes; e apesar das grades, Lajes, cerca eléctrica, segurança particular: nem debaixo da cama estar-se mais seguro! . É tempo de lágrimas nos olhos e pedra no coração e metal nas almas e de curtos ''relacionamentos'' e nem um perdão – É tempo de dor e da lei de Talião
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O silêncio ao redor antecipa a noticia e também tragédia: morte ou morreu. E os gritos anunciam, de longe, que o ''feito'' deu certo: Pode tomar posse do cargo, pode liderar a ''boca'', ''estar salva a propriedade'', ''quem com ferro fere,com ferro será ferido”
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Crianças nascem chorando e também morrem chorando, antes mesmo de tempo de recém-nascidas.
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Facas de cozinha já não corta mais o pão; e as famílias não estão mais completas á mesa
. A morte agora é lei e fatalidade e solução para a humanidade; e cada qual a carrega consigo não como, ou por, uma fatalidade e lei, mas como um modo de sobrevivência – È o novo ''hobby'' mundial também.
De onde vem tanta dor?

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Se a morte for do Brasil – imagine o que ele fará quando for do premeio mundo? – E se é do mundo ela é humanidade.
Mas a morte também é ciência; sendo assim precisa de um '' cientista'' para descobri-la. É quem É Humanidade O Cientista!? Também a morte sempre quando vem trás a desculpa – Então ela inventou o ser humano; e o ser humano por sua vez(quem sabe até para se vingar dela – do jeito que ele é!) inventou a violência e por fim a criatura se voltou contra o seu criador.
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''Morte?'' – noticia apenas.
Quem morreu não se sabe; ''foi apenas mais um''; “Ah, morreu? 'Antes ele do que eu'!” Mas agora e hora do futebol :“vamos mudar de assunto. Troca logo de canal ai e 'trás' as 'brejas'.

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Chegou (desde muitos antes) “ um tempo e que não se diz mais: meu Deus”, agora “ a vida é uma ordem. A vida penas, sem mistificação”.

Tudo até aqui escrito, é de quem e para quem, o escreve – 'pleonasticamente' falando. Apesar disso, espero que alguém o leia – e até ,fatalmente, pode acontecer um dia... Assim sendo, quero dizer algo mais: É coisa bem simples – como tudo que vier de mim, mas que me ache a esperança d'água, como a boca de quem viu um delicioso doce! Na verdade, porém só a alma, que literalmente, se enche de água e é por chorar muito e por não preencher e por não ser o que o pensamento tateou:
– Eu queria ser um esconderijo secreto e escondido, mas que pensasse e amasse. Além do mais, que é que iria me achar lá? Estaria finalmente em paz;
– Eu queria ser o céu.: – É que eu fosse acompanhado pelo o sol durante o dia, a noite pela lua e estreles e que nos amassemos e vivêssemos em comunhão, assim como o tempo e a eternidade; e que lá... abaixo,na humanidade, quando a ' coisa' estivesse feia as nuvens cobrissem meus olhos e que por esse feito eu, em agradecimento, as banhassem com as minhas lagrimas, mas que não houvesse dor por isso e nem humanidade. Assim eu não choraria nunca; viveria sempre amando as estrelas e a lua e em comunhão com a eternidade;
– Eu queria ser o sol: – Muito quente e fatal a quem se aproxima muito, suspenso no universo e longe do homem e da coisas do homem e da maldade do homem.
– Eu queria ser o futuro: – e sendo o futuro eu pularia o que de mal me fosse acontecer principalmente quando eu plantasse flores e quando fosse hora de colher colhesse pedras.
– Eu queria ser o escritor da vida. ( não Deus, porque só o senhor é Deus) porém, e sendo eu o escritor da vida, não criaria milhões e milhões de historia para as vidas todas do mundo, nem um grande livro de modelo para essas ( não blasfemo contra a Bíblia, não!)... escreveria só a minha e ao meu modo. feito isso deitaria na minha cama com minha amada esposa, e estaria certo que nada de mal me aconteceria e que o mundo estava em paz;
– Eu queria ser um grão de areia ou um grão de pólen e de que tão pequeno bala pedida não me encontrasse; fora isso teria,respectivamente, ainda o mar aos meus pés e todos os dias pássaros me transportaria em seus meigos bicos e me depositaria numa flor e assim eu floresceria eternamente no campo da paz e em paz;
– Eu queria ser uma flor blindada e invisível a todo mal feitor; e
que estivesse numa espécie de vaso blindado; porém, mesmo assim no meu estado de flor: com perfume e forma e cor.
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Eu queria ser um fotografia, mas boa, de um momento bom; e assim eternizado como fotografia eu, primeiro, me guardaria lá... no meu secreto esconderijo secreto, depois amava e movimentava e criava minha família, mas em silêncio porque seria um fotografia, com disse Drummond
– Eu queria ser um declaração de amor: – feita de coração e que coubesse, sem restrição e de todo o meu tamanho, dentro de um outro coração.
– Eu queria que não houvesse o mundo ou pelo menos os derivados do homem e houvesse só a vácuo e escuridão e silencio – seria sem graça, o mundo assim – entretanto, não teríamos que perder a graça da vida( ainda mais se brutalmente) quando ela tivesse ficando boa.
– Eu queria que o que escrevesse não fosse só literatura!
– Eu queria ser o perdão para me perdoar por ter que pensar assim! E sendo o perdão eu já me perdoei, mas não esqueci que tive que pensar assim. Mas, afinal, o perdão é um alivio e não uma plástica, pois não apaga cicatrizes – pelo menos as minha, não!

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