Carrego na pena a desgraça de ser nem o menor poeta amador que possa existir. Porque os menores são pelo menos alguma coisa e eu por nem não ser o menor é que sou nada; carrego na alma 'a desgraça dos que sonham e nunca alcançam' – e desgraçadamente nunca me canso não; carrego, às vezes, o silêncio dos mortos – dos meus desejos mortos – e no caixão que sou só as minhas lagrimas, secas com ossos milenares, sacodem. Porque o resto todo não passou de matéria do pensar!
Existo em meio à negação de não existir realmente, porque tamanha desgraça que há em minha Historia quase, quase... – ela quase me anula, mas não anulou!
Deram-me? A desgraça como o fôlego para a vide, como a pele no corpo. Mas hoje... – hoje eu peso perdão! Perdão – oh, vida! ate mesmo o meu deserto foi completamente todo asfalto pele a desgraça; ate no dicionário que pego só encontro a palavra – desgraça! Mas sem significado, é claro. Porque esse só o encontro quando me olho no espelho;
Quero me perder para já mais não me achar e quer também me dizer para me calar e não mais escutar a minha voz e quero ate afogar as cinzas que sou na lama do que ainda serei e quero ainda lançar-me sobe uma tampa e fechar o inútil tumulo do meu ser quer existe inutilmente!Queria e querido e querendo e quero e quererei, como uma carga incomensurável de não, cair sobe o que restar depois de eu nunca ter existido, e esmagar!
Ah! Se eu fosse profeta, profetizaria que essa mascara que me usa a eu usa lá também, cairai... E de dentro dela eu cairia também e me gravaria como pegadas ao chão – doce corpo aonde a vida me pôs.
Ah... Estou cansado de a vida ser só isso; em quanto isso o meu silêncio grita e eu não tenho nada a dizer! Ai! O passar do tempo, e o correr da vida sem chegar a lugar nenhum, e para mim também um balsamo; afinal, basta a magoa de hoje, que é muita, porque o restando o tempo leva e trás para a manhã... – Estou cansado de a vida ter sido só isso!
Sempre enchi o meu vaso de propósitos, ou quer que fosse, de deixar-lo cheio só até a metade. E issojá mais foi por falta de esforços! Mas ate mesmo os meus esforços sempre os fiz pela a metade!
Pela a metade... – viveria a minha vida também – ate hoje – pela metade viraria o quase e o quase passaria a sempre e o sempre ficaria para amanha, talvez... – Estou cansado de a vida ter sido só isso!
E de não ter apresentado intimidade com as Conquista das Coisas, por não ter tido em minhas conquistas intimidade nenhuma com elas. Porque fui vil e falso e estive preso, também ao reflexo de ser neutro e sombra do viver, ao que implicava vida.
Estou cansado de a vida ser só isso: não fiz, não deu, ficou, passou, perdi, depois, mas se ao menos eu tivesse tentado... – Estou cansado de a vida ter sido só isso!
Preguei os meus sonhos em uma tábua, para que não os perdessem, e também para que com ela pudesse bater em ou o quê quisessem frustrá-los. Mas a tábua, sem quer! Virou uma cruz e os meus sonhos – por mim –, foram pregados em um alvo onde estão acertadas toadas às flechas da frustração e negação.
Estou cansado, por dentro e por fora, de a vida ter sido só isso, como se não tivesse cansaço por fora e não houvesse o por dentro de mim. E como se o por dentro de mimi fosse um fundo falso e verdadeiro também! E isso tudo foi sempre tão complicado de viver e de entender... – Por isso estou cansado de a vida ter sido só isso!
Estou cansado de a vida ser só isso: um poema lido e uma dor sem ter o porquê e sem ter dor e o desejo de entender com a lama o que o cérebro não entende. E também, mais ainda, de o vazio daquele não entendimento entendido virar um texto meu: Quem lerá este texto; Sabará que nele há um pouco de si também; Perceberá que ele não passa de um simples desenho, em folha e letra e erros de gramática, do que não soube ser e conquistar ou falar?
ai, como estou cansado de a vida ter sido só isso... E hoje me entrego ao meu novo último, mas não último, refugio!
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