domingo, 11 de julho de 2010

Viagem

Deste lodo aonde vim parar tudo é tão escuro, todas as coisas gritam em um silencio tão longo, calmo e triste. Parece até que todos estão eternamente esperando uma festa: Os homens estão todos de terno, e entre as mulheres variam muito os trajes – algumas estão de traje branco.
Há muito gente por aqui: São fetos, recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. E eles não reclamam de nada, e ao mesmo tempo parecem refletindo sobre algo muito duvidoso e cruel e a também uma ressaca de descanso em seus pálidos rostos. (Eu agora já nem sinto falta e também não sei como conseguir lembrar, mas não consigo ver daqui tudo que com certeza sempre dei valor antes de aqui chegar: comidas, televisão, segredos, negócios até mesmo prazer ou dor)
O agir em passos calmos do tempo e aquele verme que passeia livremente entre os lábios de um ou outro, denuncia, que nesta festa todos são iguais. Quem os convidou não se sabe. Embora isso também pareça não fazer à mínima importância, mas esse alguém trata a todos com o mesmo desdém.

Parece que já se passam anos que estão aqui, mas essa festa, se é que é festa, parece nunca acontecer; porém todos permanecem aqui e não demonstram a menor Impaciência para isso.
Com o feito do tempo alguns já estão sem vestis, outros com vestis sujas e rascadas e para outros ainda parece que o fim das coisas acabou só neles. Mas a frieza em suas faces diz as mesmas coisas que aqueles que acabam de chegar com trajes novos e limpos... E o anfitrião continua tratando todos com o mesmo desdém...

Parece-me que acima deles ou em outra dimensão há um mundo de sentidos, canto de pássaros, balanço de árvores ao sabor do vento, prazer e até mesmo dor! Mas não neste lugar em que estamos. Aqui não! Aqui tudo é lento e longo. E dos que estão dormindo, com certeza, sou o único acordado

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